Saúde: falta monitoramento nos medicamentos em circulação na américa latina

No Brasil, as legislações da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para normatizar os informes de farmacovigilância são pouco conhecidas pelos atores políticos e sociais da saúde. Apesar do rigor das etapas dos Estudos Clínicos – em cada mil medicamentos testados apenas um passa da primeira fase -, os efeitos adversos que podem ocorrer após a comercialização não são devidamente monitorados pelas autoridades competentes.

É o que alertou o médico Juan Lopez Madrid, da Universidade colombiana de Antioquia, em palestra proferida a representantes de 40 organizações de 17 países latino-americanos, durante o IV Fórum da Alianza Latina, realizado nos dias 19 e 20 últimos, em Cartagena de Índias, Colômbia.

O médico criticou a falta de controle e monitoramento dos efeitos adversos de medicamentos depois que são colocados em circulação – a chamada Farmacovigilância – mostrando aos participantes cada etapa do processo de desenvolvimento de um medicamento até sua aprovação para comercialização.

Segundo o Madrid, na América Latina e em quase todo o mundo, as políticas de Farmacovigilância ainda têm pouca força, e os efeitos adversos que um remédio pode causar geralmente não são levados em conta após sua aprovação para comercialização. “Mesmo depois de ser aprovado e colocado a venda, um medicamento pode começar a mostrar que não é seguro ou que causa reações não constatadas enquanto era desenvolvido. É dever das autoridades competentes e direito da população saber se um remédio causa qualquer efeito adverso, mesmo que comece a ser constatado após a aprovação para venda”, alerta.

O médico também aponta falhas de segurança na aprovação de medicamentos genéricos: “Os genéricos não têm que demonstrar os Estudos Clínicos realizados para o seu desenvolvimento para serem aprovados, pois podem basear-se no Estudo que feito pelo laboratório que desenvolveu o medicamento original, também chamado de “inovador”.

De acordo com Merula Steagall, membro do Conselho Diretivo da União Latino-americana de Organizações de Apoio a Pacientes com Doenças Hematológicas, a Alianza Latina, mais de 40 ONGs estão criando uma Declaração internacional para cobrar dos governos medidas que protejam a integridade de todo o indivíduo em tratamento de saúde, “e isso implica também a aquisição de medicamentos seguros e eficazes”, declara.

A Declaração de Cartagena – Cerca de 60 representantes de 40 organizações latino-americanas de apoio a pacientes com doenças hematológicas (no sangue) como anemia falciforme, hemofilia, talassemia, e onco-hematológicas (câncer no sangue) como linfoma e leucemia, assinaram no último dia 20 a Declaração de Cartagena, um compromisso internacional de 14 artigos, que contemplam os temas de maior relevância para os milhões de portadores dessas doenças na America Latina, tais como: o acesso a medicamentos e terapias seguros e eficazes, qualidade de vida, famacovigilância, entre outros.

A Declaração foi assinada durante o IV Fórum Internacional da Alianza Latina, rede que atua como interlocutora das organizações latino-americanas de apoio a pacientes. O objetivo do Fórum, realizado todos os anos pela Alianza Latina, é promover a capacitação dessas organizações, para que possam atuar de maneira mais profissional e alcançar melhores resultados na luta em prol dos portadores de câncer e de doenças no sangue que ainda não têm acesso a tratamento digno na America Latina e Caribe.

AS DOENÇAS HEMATOLÓGICAS E ONCO-HEMATOLÓGICAS resultam de mudanças anormais na produção e/ou composição do sangue, que podem ser genéticas, resultado de hábitos de vida e alimentares, ou ainda resultado de transmissão infecto contagiosa. A redução do conteúdo de hemoglobina (elemento que dá a cor aos glóbulos vermelhos) no sangue é conhecida como anemia. A má formação de glóbulos vermelhos é característica da anemia falciforme e da talassemia. A leucemia é resultado da proliferação desordenada de leucócitos (glóbulos brancos), células que também são atacadas pelo vírus da AIDS. Por sua vez, a deficiência de quaisquer fatores necessários à coagulação do sangue (plaquetas) provoca doenças hemorrágicas, como a hemofilia.

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