Pesquisa da Unifesp sobre dependência de álcool

Estudo inédito desenvolvido pela Unidade de Dependência de Drogas (UDED), setor ligado ao Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostra que a Intervenção Breve (IB) foi capaz de diminuir os problemas associados ao uso de risco de álcool em 72% dos casos. Essa redução foi, no mínimo, duas vezes maior, se comparada à observada nos pacientes que responderam apenas ao questionário de triagem e receberam a devolutiva simples (33,8%).

Foram avaliadas 4.335 pacientes, dos quais 208 foram considerados usuários em nível de risco para a saúde, em álcool. Eles foram atendidos em Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos Programas de Saúde da Família (PSF), assim como nos Centros de Tratamento de DST/ AIDS da Unifesp e do Governo de São Paulo. Os funcionários que aplicam a técnica foram treinados para utilizar o ASSIST (questionário de triagem de álcool, tabaco e outras substâncias, desenvolvido por pesquisadores da Organização Mundial da Saúde – OMS) que classifica o nível de risco do uso de álcool e outras drogas, seguido pela Intervenção Breve para os casos de uso abusivo.

A Intervenção Breve é uma técnica de tratamento em curto prazo, ou seja, de orientação breve e focal, dirigida para as pessoas que fazem uso nocivo de álcool e outras drogas, em níveis que podem causar riscos à saúde ou à vida social, mas que ainda não desenvolveram dependência. Aplicada por profissionais capacitados que atuam nas UBS e PFS, a intervenção trabalha a auto-estima do paciente e, paralelamente, utiliza estratégias que auxilia no desenvolvimento de suas próprias estratégias para atingir a abstinência total ou moderada da droga. “Mostramos ao paciente a necessidade de se cuidar agora antes que ele se torne dependente e, para isso, no primeiro atendimento é firmado um compromisso para que ele compareça em uma próxima entrevista (o seguimento), na qual se reaplica o instrumento de triagem (ASSIST) para que possa medir o resultado da Intervenção”, afirma Vânia Vianna, psicóloga e pesquisadora da UDED.

De acordo com a especialista, a técnica ainda tem outras vantagens como rapidez na aplicação da intervenção, que dura em média de 30 a 40 minutos, facilidade de ser aplicada por qualquer profissional da área da saúde (desde que treinado adequadamente), além de não utilizar, em nenhum momento, medicação farmacológica durante o tratamento.

Os resultados confirmam que uma única sessão de Intervenção Breve, dirigida aos usuários de risco, é efetiva na redução do consumo e dos problemas associados ao uso de álcool. “Os resultados das pesquisas comprovam que a IB é barata, efetiva e demanda pouco recurso para ser desenvolvida”, afirma a Dra Maria Lucia Souza Formigoni, docente do Departamento de Psicobiologia da Unifesp e pesquisadora principal do estudo.

A pesquisa faz parte de um estudo multicêntrico, envolvendo pesquisadores de outros estados brasileiros (Pará e Minas Gerais) dos EUA, Austrália e Índia, com apoio da OMS. Com base no sucesso das primeiras fases do projeto, a SENAD (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas) patrocinou os cursos de extensão da Unifesp, realizados por cursos de Educação à Distância, que foram coordenados pelas professoras Maria Lúcia Formigoni, Denise de Micheli (Departamento de Psicobiologia) e Monica Parente Ramos (Departamento de Informática em Saúde).

Os cursos foram dirigidos aos profissionais de saúde (curso SUPERA) e lideranças religiosas (curso Fé na Prevenção) e de movimentos afins (AA, NA e comunidades terapêuticas) para capacitá-los nos procedimentos de triagem, utilizando instrumentos padronizados e associados à Intervenção Breve. Mais de 12 mil profissionais de saúde e quatro mil lideranças religiosas, incluindo pessoas de todos os estados brasileiros, já foram capacitadas por estes cursos. Desta forma, firma-se a ligação indissociável entre assistência, pesquisa e ensino.

Sobre a Unifesp

A Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) foi criada oficialmente em 1994, a partir da Escola Paulista de Medicina, entidade criada em 1933 que foi federalizada em 1956. Na ocasião da criação da Unifesp, a instituição era a primeira universidade brasileira especializada em Saúde, abrigando em seu currículo de graduação os cursos de Medicina, Enfermagem, Fonoaudiologia e Tecnologias Oftálmica e Radiológica. Em 2005, iniciou-se o projeto de expansão com a criação do campus Baixada Santista. Em 2006 foi criado o campus Guarulhos, seguido de Diadema e São José dos Campos, em 2007, dando seguimento ao processo de ampliação.

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